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sábado, 20 de agosto de 2011

Ísis

Este Verão fomos a Santiago de Compostela. Apanhámos um dia cinzento, ventoso e frio em pleno Agosto. Encontrámos, como é natural, uma cidade movimentada, agitada, cheia de peregrinos e turistas ansiosos por visitar a catedral e ver o local onde os restos mortais do Apóstolo estão depositados. Queria muito ir a Santiago de Compostela há imenso tempo, já visitei muitos sítios em Espanha, até porque enquanto vivi lá aproveitei para passear muito. Mas Santiago era ainda novidade para mim e já fazia parte do meu imaginário há muito tempo. Fomos e vimos a Catedral quase de fugida, muita, muita gente, muitas filas, muito frio e vento. Fiz o meu pedido a Santiago e vi a representação de uma Santa negra. Bonita com um bebé ao colo. Em conversa com a minha mãe descobri que é Ísis. Mas vamos por partes. Existem espalhadas por diversos locais religiosos as Virgens Marias negras que, segundo as lendas, são extremamente poderosas pela sua capacidade de fazerem milagres. Remontam aos primórdios dos tempos e foram encontradas em santuários, em basílicas, em grutas até. A maioria dos estudiosos das Deusas defende a ligação a cultos muito antigos, talvez até pré-históricos, relacionados com a terra, o útero, a Mãe Terra, a Deusa Mãe, que também era conhecida no paganismo como a Deusa da Fertilidade, da Fecundidade.

E o que me traz hoje aqui ao meu blogue é Ísis. Ísis é uma deusa egípcia que foi venerada não só no Egipto como no universo greco-romano. Existem pela Internet sites muitos interessantes que exploram o modo como o culto a Ísis foi absorvido pelo Cristianismo e como muitos templos dedicados a Ísis foram convertidos em templos dedicados a Maria. Na Catedral de Santiago de Compostela reparei naquela imagem linda de uma negra com um menino sentado a seu colo, ambos com uma expressão serena e risonha. Ela segura uma bola na mão direita, ele uma bolinha com relevo na mão esquerda. Fiz imensas pesquisas na Internet para tentar descobrir quem representam e pelo que me parece é mesmo Ísis, com o seu filho Hórus. Em Espanha há registo do culto a Ísis e os documentos relativos a esse culto são datados do século III. Em Portugal descobriram-se inscrições dedicadas a Ísis.
Ísis, deusa referenciada como deusa Mãe, força fecundadora da natureza, deusa da maternidade e do nascimento,

continua a perdurar através dos séculos, com a sua imensa força e poder.

domingo, 19 de junho de 2011

Jardim

E nós jardinamos e tentamos ter um cantinho para flores, um cantinho para arbustos, um cantinho para vegetais, um cantinho para um limoeiro. Mas ainda falta fazer muito para que se torne no espaço que imaginava. Recantos, flores, bancos antigos, pormenores escondidos, gaiolas para pássaros abertas e com flores, uma ou outra estatueta pequenina e discreta (não gosto de estatuetas) misturada com as cores vivas das plantas.





quinta-feira, 19 de maio de 2011

Gabito


Comprei um livro do Gabriel García Márquez que ainda não tinha lido. Encantam-me os seus livros, a maneira como ele nos prende ao enredo das suas histórias, cruas, poéticas e mágicas.
Gosto da esperança eterna e inútil em Ninguém escreve ao Coronel. É essa réstia que o prende à vida, no meio de tanta miséria, tristeza e doença. Gosto da magia presente em Cem Anos de Solidão, da energia avassaladora de Macondo, do musgo que cresce em cada recanto devido à chuva que durante quatro longos anos cai sobre a cidade. É um livro rico em elementos fantásticos e míticos. A morte, o amor, o sobrenatural, a destruição e a força reaparecem ao longo das suas obras. Amor em Tempos de Cólera e Do Amor e Outros Demónios, A aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile, Doze Contos Peregrinos e agora A Hora Má: O Veneno da Madrugada, entre tantos outros.
Magistral, intenso, inesquecível, assim é Gabriel.